Slides + Carolina Maria de Jesus: condição favelada, monetarização e trabalho nas favelas paulistanas Neste artigo tecemos considerações sobre a literatura como fonte de dados e ambientação de época, tomando a obra literária “Quarto de Despejo”, de Carolina Maria de Jesus, para o estudo das primeiras favelas paulistanas. A autora escreveu um diário de sua vida na favela do Canindé no final dos anos 1950, narrando episódios cotidianos e de sua condição favelada. Sendo as favelas muitas vezes efêmeras, literatura e música constituem fontes alternativas que permitem acessar seu universo para além dos materiais hegemônicos, como jornais. Selecionamos diversos trechos que dizem respeito às suas condições de vida, atividades de coleta de materiais para reciclagem e de restos de comida. Sua narrativa dá conta da fome como condição da cidade moderna, consciência de que a favela não era algo à parte mas plenamente integrado à cidade, rebatendo interpretações marginalistas sobre sua obra. Consideramos a cisão-valor como forma constituinte da socialização moderna, que cria separações cumulativas postas para fora do âmbito prioritário da valorização do capital pela exploração do trabalho; e que enquanto mulher negra e mãe solteira, encarna a cisão em variados níveis, que se expressam em fome e miséria. 14/05/2015 artigofavelasliteratura