336
Rota dos Baobás - Bolívia, La Paz, Tocaña

Rota dos Baobás - Bolívia, La Paz, Tocaña

Esse encontro começou em meados de 2010 quando TC visitou a Bolívia no contexto do Cultura Viva Comunitária, aí já estava desenhando a Rota dos Baobás. Através de conexões que o Teatro Trono (El Alto) tinha com comunidades afrobolivianas, TC viajou até a região Nor Yungas para conhecer a comunidade Mururata. Lá conheceu Don Julio Piñedo, um senhor cocalero que possui a descendência de realezas do Congo que, com sua esposa Angelica Piñedo e seu filho Rolando Piñedo, forma uma família que carregam uma importante história na afrodiáspora. Depois de alguns anos voltou lá com seu filho Ayo Shani, plantando muitas sementes de Baobá. Esse foi um importante momento para falar sobre a luta afrodiaspórica nas Américas. Passado os anos até o presente seu contato com o território Mururata foi pouco, no entanto as contações de história inspirou duas pessoas indígenas, Tania (Aymara) e Nico (Guarani) – e que fazem parte da Tainã –, a levar um Baobá para essa comunidade. A viagem de ônibus foi cansativa e complicada por levar dois jovens Baobás por terra. Chegando em El Alto já se percebeu que o frio dessa região, tão marcada pela presença Aymara, fez com que os Baobás sentisse a necessidade de estar para dentro de casa nas frias noites que passaram por lá. Ali em El Alto conheceram a Casa Cultural La Altusa, onde Lenia os recebeu com muito carinho, além de compartilhar o contato de Edgard Gemio. um jovem que cuida do espaço Cultural Afroboliviano Tocaña. Apresentou algumas memórias da comunidade, como a história do sequestro feito pelos espanhois trazendo africanos para serem escravizados nos Américas e a cultura preta que existiu e existe ali desde então. Sentindo essa conexão ancestral ali foram deixados os dois Baobás. O tempo passou mas a conexão continuou, sobretudo com Nenrry, uma importante voz feminina da comunidade e, junto a TC e Tania, marcaram o plantio do Baobá junto às comunidades vizinhas. Logo saíram no dia 15 de Agosto em direção a El Alto: TC, Nico, Tania, sua mãe Loly e seu avô Angel. Ali em El Alto foram muito bem recebidos pela comunidade do Espacio Cultural Waliki. Entre elas: Juan Pablo, Vivi Mamani, Gaby, Carlos Macusaya e Teodocia Tarqui; que fizeram uma comida tradicional, Oca com carne de rês e quínoa. Seguiram para a casa de Tio Fabio onde pernoitaram. No dia seguinte seguiram viagem em direção a Coroico e depois Tocaña, juntamente com um pessoal do Waliki, Vivi e Gaby, que toparam fazer registros do encontro, firmando uma parceria entre as redes Tainã e Waliki. Chegando lá, no dia 16, foram recebidos pelo povo da comunidade, sobretudo por Nenrry, que organizou quartos para a estadia. Pela noite houve uma festa que aconteceu na quadra da escola da comunidade e nesse momento os mais velhos já perceberam a presença de TC. Algum dos nomes dessas pessoas: Teofilo Pérez, Nicanor Gemio, Roberto Zabala, Martín Marín, Francia Marin, Fatima Zabala (filha de Dona Marta Zabala), Paulina Vázques e Benancia Zabala. No dia 17 seria o plantio, mas as fortes chuvas impediram que isso fosse possível. Em vez disso foi feito uma troca de saberes em relação aos cuidados com o Baobá. Um momento importante foi quando uma das lideranças, um senho chamado XXXX, pergutou a TC: - Que beneficio essa planta vai nos trazer? TC prontamente respondeu: - Essa planta nos reconecta com nossa mãe África. Esse senhor fez uma cara de espanto ao entender que aquilo era algo tão profundo e conectado com sua história. BaobÁfricanizando as Américas!!! Depois desses cuidados formou-se uma roda para a troca de vivências, conversaram sobre os problemas estruturais que os povos da terra enfrentam desde a colonização. Isso foi um momento muito importante que apontou desde os problemas da imposição de um modo de vida que não respeita os conhecimentos ancestrais, o alcoolismo nas comunidades, a apropriação de conhecimentos das tecnologias atuais e necessidade de reparação histórica. Depois fizemos uma batucada com La Saia Afroboliviana, uma das manifestações negras dessa região. O Baobá seguiu no meio da roda recebendo aquele axé dos cantos, da dança e dos tambores, além do fato que TC dançou com a jovem Fatima Zabala, filha da Doña Marta Zabala, uma matriarca que já se encantou e é possível ver um registro no Baobáxia dela com seu facão e TC na quadra da escola da comunidade. Finalizada a batucada, houve um saboroso almoço comunitário com fricasé (comida típica Boliviana com carne de porco, chuño e milho branco andino) preparado pelas matriarcas, dando energia para TC compartilhar com mais pessoas que chegaram, a importância daquele momento e os cuidados com o Baobá. Ao final foi presenteado à comunidade 21 sementes de Baobá, que passaram pela mão de todas as pessoas que ali estavam, cada uma trazendo seu axé, ao final deixando dormir na água para o próximo e último em Tocaña. No dia seguinte, pelas 10h da manhã, após a aula da Unidad Educativa Tocaña, as crianças saíram e foram na quadra da escola encontrar para plantar as sementes que dormiram no dia anterior. TC falou sobre a importância de cuidar das sementes, da terra e do futuro cantando: Tô voltando pra casa Com um pé de Baobá Tô voltando pra casa Com um baobá O Baô babá O Baô babá O Baô babá O Baô ba Baobá O sentido da cantiga foi traduzido por Tania para as crianças e com essa canção cada uma delas (Neythan Payi, Joana Zabala, Ivana Ortuño, Indira Giraldi, Liam Condori, Mijael Justiniano, Gael Zabala, Farid Nova) que estavam ali semearam ao todo 21 sementes de Baobá. Ao final todas as crianças abraçaram a TC e juntos fizeram a saudação cantada Yo, yo, yo! Depois voltamos para o Centro Cultural e Edgard nos apresentou um pouco a cultura Afroboliviana através do trabalho museológico que desenvolveram ao longo dos anos, apresentando os tambores, as roupas utilizadas, instrumentos de trabalho, arquivos históricos etc. Ao final chegamos em um lugar onde apresentaram o trabalho de cafeicultura da comunidade. Nesse dia não possível plantar o Baobá por conta da constante chuva dos dias, também não foi possível voltar à La Paz porque a cumbre (região mais alta e de transição para chegar dos yungas à La Paz) estava sem passagem por conta das fortes nevascas. Por isso dormiram em Coroico para no próximo dia voltar. Saíram às 8h e às 11h estavam próximo ao ponto mais alto do caminho (4900mt), porém os carros permaneciam parados por conta da via congelada. Por conta disso chegaram por volta das 16h em La Paz e consequentemente TC e Tania perderam seus vôos. Somente pela madrugada do dia 20 foi possível TC embarcar em direção ao Brasil. Semanas depois foi dada a notícia de pelo menos 15 baobás germinados, trazendo muito axé para a comunidade Tocaña. E foi dada a responsabilidade das pessoas da comunidade espalhar os Baobás para outras comunidades irmãs. BaobÁfricanizando as Américas!

16/09/2026
Baobá no Alvorada
Baobá da Xambá
 Mestre Joelson Ferreira  -  Professor visitante da UFBA

Mestre Joelson Ferreira - Professor visitante da UFBA

Para Mestre Joelson, o desafio da docência na UFBA faz parte da estratégia de enfrentamento às opressões vividas pelos povos tradicionais. “Não venho só, venho acompanhado de todo um movimento de ancestralidades. A pedagogia é pra fora da sala, precisamos ver as ações, dialogar com o território. Sou grato à UFBA, muitos alunos dessa casa ajudaram a construir a Teia dos Povos e essa é uma forma de ampliarmos a luta”. Mestre Joelson foi contratado em regime de dedicação exclusiva, por tempo determinado, mediante “Edital Interno 01/2023 – IHAC – Chamada para Processo Seletivo para Apresentação de Candidaturas do IHAC ao Edital Professor Visitante Notório Saber 2023 PROEXT/UFBA”, a partir de 04/dez/2023. Sua primeira atividade foi a aula conjunta com o professor visitante Horácio Machado Araóz, da Universidade de Catamarca, na Argentina, no minicurso Ecologias Políticas desde Abya Yala e encerramento da disciplina Cultura e Desenvolvimento. No primeiro semestre de 2024, Joelson ofertará um curso em Tópicos Especiais em Culturas junto ao programa de pós-graduação em Cultura e Sociedade (Pós-Cultura), onde integra o quadro docente como Professor Visitante, colaborando para o componente de Tópicos Especiais em Humanidades e Estudo das Contemporaneidades, na graduação no IHAC, e Estudos Socioeconômicos e Ambientais, na graduação na FAU, e atuará com atividades de ensino, pesquisa e extensão, sob a Coordenação de Leticia Marques e supervisão de Felipe Milanez, que apoiou a contratação do Mestre. Também se articulam nessa ação de acolhimento de mestre Joelson uma teia de professores que irá colaborar com os cursos oferecidos por mestre Joelson, e grupos de pesquisas onde ele participará de debates, além de Felipe Milanez, no IHAC e o Grupo de Ecologias Políticas, com os professores Felipe Estrela, da Faculdade de Direito; Thaís Rosa, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (grupo Margear/PPGAU e Residência AU+E) ; Gilca de Oliveira, da Faculdade de Economia e do Geografar, Ana Lúcia Lage, do BI de Humanidades e Bianca Rückert, do BI Saúde, do IHAC, entre outros docentes e discentes que contribuem para a recepção do Mestre em Salvador. Viva Mestre Joelson e a luta dos povos!

17/03/2024
Baobá di Lau - Biologia Unicamp
Baobá di NILu

Baobá di NILu

BaobÁfriCampinas No próximo domingo, dia 02 de Julho de 2023, a cidade de Campinas será abraçada pelo amor, em memória às personagens pioneiras do movimento negro no Brasil. O cortejo do Coletivo Nação Nagô, representado pelo povo negro da região é uma homenagem aos heróis e heroínas que resistiram e, ao longo do tempo, lutaram pra construir “um mundo mais do nosso jeito”. Venham de branco e vamos celebrar nossos ancestrais e sonhar com um futuro mais justo. Sankofa!!!O Mestre Lumumba e sua filha Dr. Nicéa Quintino Amauro foram uma parte fundamental na construção dessa história, mas agora, após a sua triste partida, este movimento está renascendo com ainda mais força. A árvore Baobá – Baobá di NiLu, que será plantada na frente da prefeitura de Campinas, relembrará a luta e resistência, principalmente das mulheres negras que, quase sempre, eram obrigadas abandonar seus filhos e suas casas e passarem a vida cuidando dos filhos e da casa da burguesia da cidade.Este ato é uma forma de resgatar a memória daqueles que foram esquecidos pelo tempo e pela história branca. É uma forma de homenagear todos os pioneiros e pioneiras que construíram umcaminho para que os negros brasileiros pudessem ter mais direitos e igualdade na sociedade. Estaremos reivindicando também que esta data seja incluída no calendário decomemoração do Aniversário de Campinas visto que, também estamos comemorando um quarto de milênio da presença das Áfricas em Campinas. Vamos construir um mundo mais do nosso jeito. BaobÁfriCampinas!!!* Independência da Bahia. O dia 2 de julho foi escolhido por ser dia do nascimento de Mestre Lumumba e é também o dia de comemoração da Independência da Bahia onde se registrou o protagonismo de mulheres comoMaria Felipa de Oliveira, uma mulher negra, pescadora, marisqueira e ganhadeira, lutou nas batalhas de Independência do Brasil na Ilha de Itaparica (Bahia – BA). Ela teria comandado um grupo de cerca de 40 mulherespara, primeiro, seduzir os portugueses e, depois, atear fogo às embarcações deles.

13/10/2023
BaobÁfriCampinas por Eduardo Benedito
A conspiração escrava de Campinas, 1832
Makolwa Munguambe - O Diálogo

Makolwa Munguambe - O Diálogo

O ARTISTA MOÇAMBICANO, MAKOLWA MUNGUAMBE, EXPÕE NA CASA DE CULTURA TAINÃ Além da exposição o artista dará oficinas de construção de marionetes gigantes A Casa de Cultura Tainã recebe o artista moçambicano Makolwa Munguambe para uma residência artística com atividades programadas de exposição e oficinas. A exposição “ O diálogo” com data de início em 25 de outubro às 20h , na Casa de Cultura Tainã, traz diversos trabalhos de Makolwa com pinturas e esculturas construídas a partir da reciclagem de elementos como madeira, radiadores de automóveis, sucatas entre outros. Makolwa, é autodidata com uma capacidade de criação incrível e compõe seu trabalho a partir de experimentações de observação do mundo a volta compondo um trabalho que alia criatividade, estética e a preocupação com o meio ambiente, como destaca o artista. “ Aquém da pintura e da escultura, estar comprometido com questões ambientes é importante para que não volte para a Terra para a natureza elementos que venham agredir e prejudicar, “salvo” certos matérias tóxicos para a natureza reciclando e os transformando em arte”. O artista também domina o oficio de construção de marionetes gigantes, Makolwa aprendeu a construí-las a partir oficinas que ele realizou com a Companhia francesa Les Grandes Personnes, um grupo conhecido de teatro de rua. Para o artista a confecção das marionetes gigantes extrapola a convecção de que a arte tem que estar em salas expositivas, as marionetes ocupam a rua, o espaço público e podem ser vistas por todos, a arte na rua é democrática, inclusiva porque toca pessoas. “ Assiste na rua, as pessoas ricas, os pobres, os médios, as crianças, os jovens, os idosos”. Makolwa integra o grupo Marionetes Gigantes de Moçambique. Estão previstas oficinas a partir de 30 de outubro até 15 de novembro com Makolwa. Nas oficinas oferecidas pelo artista serão construídos de bonecões gigantes a partir elementos como barro e papel maché, foram pensados a construção de bonecos em homenagem à Bispo do Rosário, Mestre Moa e Marielle Franco que tragam discussões de temáticas atuais. Para TC Silva coordenador da casa de Cultura Tainã a importância de construir redes e conectar pessoas é essencial “A Tainã constrói redes se expande através da Rede Mocambos e receber pessoas sempre fez parte. toda a história da Tainã é reunir gente de muitos lugares. As nossas ações sempre estão interligadas a outras frentes e questões de lutas.” Sobre as oficinas das marionetes gigantes, que muitos conhecem como “bonecões” “Quando se fala em Bispo do Rosário se fala sobre intolerância religiosa, da luta antimanicomial, promoção da paz mundial, das igualdades e do respeito as diferenças. Ir para à rua com construção de pautas onde possamos tentar fazer um mundo mais do nosso jeito , onde as existências e suas identidades não são negadas.” Casa de Cultura Tainã A Casa de Cultura Tainã é uma entidade cultural e social sem fins lucrativos fundada por moradores da Vila Castelo Branco e região em 1989 como nome de Associação de Moradores da Vila Castelo Branco e, mais tarde, através de um concurso, foi escolhido o nome de Casa de Cultura Tainã que hoje fica na Vila Padre Manoel da Nóbrega região noroeste do município de Campinas, SP. Sua missão é possibilitar o acesso à informação, fortalecendo a prática da cidadania e a formação da identidade cultural, visando contribuir para a formação de indivíduos conscientes e atuantes na comunidade Serviço: Exposição: O Diálogo pinturas e esculturas Makolwa Munguambe Abertura: 25 de outubro às 20h Oficinas Marionetes Gigantes / Bonecões De 30 de outubro a 15 de novembro Atividades gratuitas Casa de Cultura Tainã Endereço: Rua Inhambu, nº 645 - Praça dos Trabalhadores, Vila Padre Manoel da Nóbrega - Campinas Fone: +55 (19) 3228-2993 e-mail: taina@mocambos.net https://baobaxia.mocambos.net/

24/10/2018
Sementes
Feijão Roxo do México (Aiokote)

Feijão Roxo do México (Aiokote)

Encontro com Sofía Olascoaga de Cuernevaca que nos deu de presente sementes de feijão e nós demos em troca sementes de arroz dos Kalunga, presente de Paulinho e do povo de lá, trazidos pela Georgia que foi até a Casa do Povo pra me entregar. muito importe observar a história que vem junto com as sementes, narrada pela nossa companheira Sofia nesse pequeno video que fizemos pra compartilhar com noss@s parceir@s (http://www.comandanta.com/granel.php). esse encontro foi extremamente impor tante principalmente pela intensidade das trocas com as diferentes experiências apresentadas pelas pessoas que participaram dessa vivência totalmente enriquecedora. O Laboratório para Estruturas Flexíveis é um programa que se estendeu ao longo de um ano discutindo técnicas de gestão de diversas iniciativas culturais. Em um contexto político em que a imaginação de futuros possíveis não pode mais descolar-se da disputa de presentes urgentes, procuramos reunir espaços, iniciativas e coletivos de pequeno e médio porte, cuja situação frágil e o trabalho um tanto silencioso apontam para outras formas de organização – ou até de desorganização. A busca por outros meios de financiar suas atividades, de trabalhar coletivamente, de criar comunidades, de borrar fronteiras entre público e artista e de ampliar nosso entendimento do que é cultura, não deixa de ser uma tentativa conjunta de criar zonas de autonomia temporárias, que aguçam a sensibilidade social e ensaiam outras formas de existência. Esses bolsões de experimentação, espalhados por diferentes lugares do mundo, reinventam modos de estar, dinâmicas e usos de espaços comuns, para que não sejamos reduzidos a meros consumidores de serviços, ou de equipamentos coletivos já formatados. O programa reúne, de 23 a 28 de outubro, iniciativas nacionais e internacionais que inscrevem suas práticas no campo ampliado da cultura (das artes visuais ao ativismo cultural), em torno de três inquietações principais: a primeira relacionada aos públicos (1), a segunda ao objeto de atuação (2) e a terceira ao tempo e aos espaços dessa atuação (3). (1) Não seria o público dessas iniciativas antes o resultado de uma construção coletiva, que um alvo preexistente ao trabalho realizado? Ou seja, não estaríamos nós falando mais sobre a ideia de formação de redes do que sobre a ideia de criação de públicos? (2) Por que e para quem trabalhamos? Para promover um certo tipo de prática artística, reforçando a sociedade civil e inventando outras formas de fazer política? Para melhorar a vida do entorno e gerar renda para a comunidade? Essas perguntas propõem uma reestruturação dessas mesmas iniciativas, o que leva à terceira inquietação. (3) Se os públicos são agentes ativos dos resultados obtidos e se o objeto de atuação é um processo de construção constante, como essas iniciativas podem reinventar suas relações com o tempo e com o espaço? Quais outras genealogias e ancestralidades resgatar? Onde encontrar as muitas experiências hoje apagadas da história oficial da arte? Como adaptar a programação dos espaços culturais às urgências atuais (abrindo mão de exposições, cursos e temporadas)? Até que ponto podemos trabalhar sem espaço? Em que medida conseguimos frear o tempo em que vivemos? É nesse contexto de esgarçamento da linguagem e da imaginação, que se fazem tão fundamentais iniciativas e coletivos cujas práticas vêm antes dos nomes. O desejo de produzir formatos, dinâmicas, relações e usos ainda sem nome que vão, pouco a pouco, encontrando seu dizer, parece ser hoje uma atuação tão valiosa, quanto incomum. Talvez por isso, o Laboratório para Estruturas Flexíveis seja mais um encontro que reúne algumas dessas iniciativas, tais como: Agência Solano Trindade (São Paulo), Aldeia Kalipety (São Paulo), Beta-Local (Porto Rico), Casa de Cultura Tainã (Campinhas), Chão Slz (São Luís), ColetivA Ocupação (São Paulo), Grupo Contrafilé (São Paulo), Clínica Aberta de Psicanálise (São Paulo), Cursinho Popular Transformação (São Paulo) DataLabe (Rio de Janeiro), Digital Art Lab CKC (Israel), Escola Nacional Florestan Fernandes (Guararema, São Paulo), G>E - Grupo de pesquisa em processos criativos e propostas estéticas (São Paulo), JA.CA - Centro de Arte e Tecnologia (Belo Horizonte), l'Asilo (Nápoles, Itália), PF (São Paulo/Rio de Janeiro), Oficina de Imaginação Política, PAF [=PerforimingArtForum] (França). Não por acaso, muitas dessas iniciativas reunidas são fronteiriças, sejam pelos lugares onde atuam, pelas suas práticas ou seus formatos organizacionais. Também foram convidados alguns pesquisadores e ativistas, cujo trabalho volta-se à gestão e organização de iniciativas culturais e militantes, tais como: Andrea Phillips (Suécia), Denétèm Touam Bona (França), Sofía Olascoaga (México) e TC Silva (São Paulo). Em poucas palavras, o Laboratório para Estruturas Flexíveis, embora use um vocabulário questionável (flexibilidade, estruturas), procura identificar ferramentas que apontem para o que seria uma unidade mínima de institucionalização dessas iniciativas no sentido de que possam se consolidar sem se engessar; se reinventar sem se precarizar; se internacionalizar sem deixar de ser locais. Afinal de contas, o que essas estruturas pretendem é instituir novos mundos.http://brazil-eventer.com/event/laboratorio-para-estruturas-flexiveis

28/10/2017
comunidade quilombola Bau.6
quilombo do espinho19
comunidade de vagem
quilombo do espinho3
quilombo de vagem1
quilombo do espinho14
quilombo do espinho16
de volta pra inhai fornos
comunidade quilombola Bau.15
comunidade quilombola Bau
comunidade quilombola Bau 19
comunidade quilombola Bau.1
1 / 7